DIÁRIO: Entre todas as mais belas

Eu lembro dela. Lembro da voz, da risada gostosa de ouvir. Lembro da lágrima de despedida, do cheiro dos cabelos brancos daquela mulher incrível vinda como minha ancestral. Não conheço muito do passado e nunca tive a oportunidade de perguntar. Se tivesse a oportunidade de hoje estar fisicamente com essa mulher, eu à serviria com todo o meu amor; não chegaria nem perto ao amor dela, eu sei, mas tentaria o meu melhor, e ela saberia disso.

Convidaria ela a um passeio em um parque verde com árvores gigantes, nos agraciando com o perfume das flores vindo dos quatro cantos do mundo; poderia ter montanhas altas para mostrar a imensidão e nos compararmos com nossa pequenez. Nesse dia, o céu colaboraria com um azul inexplicável; o Sol iria brilhar intensamente, mas não gostaria que machucasse seus olhos azuis transparentes cor de alma; se pudesse, alguns animais apareceriam para brindar conosco à vida longa na Terra e à vida infinita nos Planos Astrais; compraria o melhor café, o melhor pão, as melhores frutas para serem saboreadas com nossas conversas; seria Outono porque é a minha estação preferida, mas um dia menos frio, para não marcar sua pele aveludada e sensível; um dia perfeito.

Leria uma poesia de Maria Bethânia, colocaria música e tenho certeza que ela adoraria ouvir alguma sinfonia, poderia ser jazz ou até mesmo alguns batuques africanos além dos sons da Natureza. Estaríamos vestidas de branco porque são todas as cores; ela me perguntaria como iriam os namoros, mas finalizaria dizendo que eu não precisaria de mais ninguém além de mim e do meu amor. Ela comentaria na busca do que é bom; do que é do bem. A presença dela seria mais encantadora e bela do que toda a Natureza daquele lugar.

Ela não me olhava; ela me enxergava. Sua Luz de Lua Cheia que abria caminhos mais escuros e promovia aquele brilho na forma de paz. Que ainda promove o brilho e a paz. Quem viveu junto dela, não precisava explicar, porque bastava sentir sua presença.

Um dia, veio até mim e disse baixinho no meu ouvido que iria me ensinar a benzer. Eu tão pequena, não sabia do significado, mas lembro da sensação de pertencer àquilo. Ela não plantou a semente porque ela já estava dentro de mim, mas regou e fez brotar aquela semente mágica. Segui aquele sussurro, continuo e sempre continuarei seguindo aquele convite. Ela me convidou para seu mundo e aceitei sem saber; apenas confiei. E confio.

Hoje após décadas, me deparo com a beleza daquela energia presente no meu coração. Se me curo, é por honra à ela, às minhas ancestrais; às energias divinas do meu Feminino e Masculino que na busca do pertencer sofreram por ser quem eram: mulheres, bruxas mágicas, fadas; hoje lutamos juntas por essa equidade.

À ela, minha honra. À minha bisa Olga.

Eu, Pamela.

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