DIÁRIO: Sou um instrumento

Eu acredito em missão de vida, mas tenho dificuldade em acreditar em mim. Já ouvi tanta coisa boa ao meu respeito e mesmo que tenho conseguido manter minha estabilidade mental durante esse ano de transição e tudo mais, acabo falhando no quesito de me sentir pertencente. É um sentimento de primeiro-dia-de-aula-preciso-encarar-mas-não-encaro.

Me considero fugitiva, mas que ao mesmo tempo que “fujo” procuro por pistas no caminho que percorro. Na verdade, eu confio no caminho que percorro, assim, confio na minha intuição de manter seguindo por lá, por aqui, por ali. Eu confio. É como você precisar confiar em alguém, mesmo não sabendo o que vai acontecer, nem se preparando para nenhuma expectativa. É… Nós mesmos somos alguém. Cada um é um alguém. Por isso me contradigo. No fundo mesmo, eu gostaria de ficar, de aterrar; mas tudo é passageiro e acho que nunca vou me acostumar com isso.

Não venha dizer que é fácil lidar com essa situação. Não é. Sim, é preciso encarar as situações, mas não necessariamente que seja fácil. Tudo o que vem dos outros é sempre aparentemente tão prático, não concorda? Mas ninguém sabe nada de ninguém, mesmo achando que sabe. Achar é uma palavra tão vaga que parece que consigo projetar nessa minha cabecinha um muro gigante com uma pessoa em cima não sabendo se pula ou se permanece parada.

Há duas perspectivas: ela fica em cima do muro, sem perigo de se arriscar, mas acaba perdendo a oportunidade de descer e ter a certeza de conhecer e/ou achar o que procura. É a dificuldade de sair da zona de conforto; ou ela desce, tem o desafio de “quebrar a cara”, mas tem a certeza de que pode subir no muro de novo possibilitando as duas alternativas acima: permanecer na zona de conforto e decidir sair da zona de conforto. Repeti conforto tantas vezes que me deu vontade de me sentar.

Oras, é importante se desafiar uma vez ou outra. É uma atitude-não-atitude que tomamos para encarar o que precisamos, nem sempre como queremos, mas sempre como precisamos. As vezes demora e as vezes é tão rápido como um soluço ou um peido.

A demora geralmente é que faz desanimarmos do que está ao nosso encontro; do por vir, do reencontro depois de uma longa viagem que finaliza com braços abertos de um querido abraço. Ah, que saudade de um abraço!

É importante persistir, é importante sim, assim como é importante acreditar. O que posso até me fazer de desentendida e tacar um clichê de “quem acredita, alcança”. Como havia dito antes, tenho andado procurando o que é meu e já tenho alcançado alguns patamares dos pódios da vida do autoconhecimento. Um dia, se tiver o privilégio de poder compartilhar minhas dores, amores, valores e outros ores em páginas de um livro próprio meu, eu juro, dormiria sorrindo.

As palavras são tão bonitas quando há sentimento… Qualquer sentimento, porque vejo beleza em tudo; tudo é irrelevante, intrínseco, particular. É poético. Geralmente um poeta se expressa com suas palavras mais profundas de felicidade, de amor ou de dor para embalar a si mesmo no pertencer. É tão bonito que as borboletas existentes no meu estômago começam a voar para lá e para cá. As palavras me encantam, por isso que atitudes são importantes porque são palavras concretizadas.

Essa expressão me enamora, me faz sentir profundamente o quão humana sou. Mesmo muitas vezes não me sentindo útil, ou muitas vezes querendo me sentir importante, eu sou pertencente a algo. A importância de ser útil e a utilidade de ser importante revelam possibilidades interessantíssimas de misturas que assim quanto ao café com leite, sabemos que estão aí, mas seriam impossíveis de separar depois de se formarem um só.

Fiquei me perguntando por uns bons dias – ou melhor, depois da minha sessão de terapia sistêmica aonde minha terapeuta plantou a semente sobre – o significado das sensações que essas duas palavras me despertam, se você esqueceu, as palavras são útil e importante; são delicadas, mas extremamente profundas. Não sei se posso dizer que essas palavras são só minhas; seria egoísmo demais da minha parte dizer que todas saíram dos meus pensamentos, por isso, seja lá qual for sua crença, fé, religião ou ao que você segue, eu não me importo se levar adiante o que tocar seu coração.

Mas, seguindo minha linha sentimental de raciocínio na qual eu gosto de confundir…

As lágrimas! As lágrimas são úteis e importantes. Elas promovem estados cristalinos, límpidos; são águas que mesmo salgadas tornam nossos dois planetas chamados olhos, em mar. Planetas esses que dão a possibilidade de conectar profundezas da alma, mesmo não vendo, se interligam às mãos e fazem o mesmo trabalho em toque. E mar, com a imensidão e infinidade de sentirmos o que somos. Por isso as lágrimas, elas são expressões de afetos da tristeza e da alegria, são minerais que equilibram os excessos, são excessos transbordados. Úteis para equilibrar. Importantes por expressar.

Se eu estava na busca da importância ou da utilidade de ser alguém, vou continuar buscando. Sinto informar que não tenho a exatidão. No momento, a resposta é a constância em seguir para encontrar o que é meu; aprendendo me importar a ser útil. Sou instrumento do que guia e conduz as belezas dos mistérios. Sou um instrumento…

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