DIÁRIO: Paleta de entrelinhas

Caminhando sem brigar com o tempo, decido me despedir do dia e agradecer o Sol como de costume, e para minha surpresa esse encontro de dois, acabou virando de três; a Lua estava lá também. No meu lado direito uma intensidade que fazia meu corpo sentir arrepios de gratidão, lá estava ele, brilhante e alaranjado abençoando a Terra com seu até logo. Já no meu lado esquerdo, observo uma Lua Crescente glamorosa, tão grande que era impossível não perceber sua majestade. Podia jurar que os dois iriam se encontrar naquele momento. Me senti acarinhada por estar entre meus dois planetas astros divinos.

Phoenix Park, Dublin | Irlanda, 22/10/2020

Não queria tomar decisão de rumo algum, mas ainda assim tinha esperança de chegar em algum lugar, não necessariamente físico. Conforme caminhava, sentia a troca de energia que a Natureza me passava, enquanto transpirava mesmo no frio.

Tive a impressão de estar sendo seguida pelas folhas que conforme a força do vento, elas se formavam abrindo caminhos, voavam como redemoinhos e faziam barulho ao cair. Tão bonito. Tão vívido. Tão simples.

Observava além da grandiosidade das luzes no céu em seus tons azuis e nas árvores multicolores de uma paleta outonal, as pessoas respirando com alívio de poderem ter aquela liberdade que as acompanhavam. Enquanto os pássaros voavam quase como miragens, eu ainda continuava a prestar mais atenção na necessidade daqueles seres humanos em serem livres. Via a liberdade a cada passo dado.

Phoenix Park, Dublin | Irlanda, 28/09/2020

Foi um presente poder ver aquele senhor sentado no banco, apreciando o entardecer com a presença de si mesmo. Enquanto os cachorros felizes que encontrava pelo caminho aproveitavam aquele passeio como se fosse o último momento de suas vidas. Uns correndo, outros se exibindo com a bolinha na boca. Não posso esquecer de ver aquela senhora dançando no meio de tudo, dando seus pulinhos de loucura instantânea. Sim, meu coração foi tocado por poder memorizar aquelas imagens, enquanto minha pele era aquecida por aquelas sensações tão prazerosas.

A vontade de não chegar em lugar algum era porque a sintonia de toda aquela caminhada já estava sincronizada para aqueles momentos. Momentos que se foram junto com o dia, mas que enalteceram a beleza daquela paleta de entrelinhas do que a vida quer mostrar.

Eu, Pamela.

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