SUNDAY MOOD: O sentimento de filosofar

Existe um ponto de equilíbrio entre a liberdade individual do ser humano e a liberdade que o Universo nos dá. A liberdade de escolher não significa ter a liberdade de querer. Ao mesmo tempo, existe limitações dentro da própria liberdade.

A profundeza de existir é muito mais do que gastar energia com o que não pode ser controlado, é saber que a dualidade entre bom e ruim existe para a necessidade da sobrevivência. Pode aparentar ser primitivo relacionar sobrevivência à necessidade, ainda mais se tratando de tempos modernos, mas existem realidades totalmente distintas em que o patriarcado impõe e limita. Isso é real. Pessoas estão tendo o mínimo da sobrevivência, o que não é necessidade.

É um sentimento estranho de mesmo não querendo, estar ajudando de forma interpessoal o que pode ser tão pessoal: a busca pela felicidade. Pare para analisar o mundo como está ou melhor, sempre esteve, lotado de pessoas buscando a felicidade em forma material, desnecessária, excluída em que o Capitalismo educou. É um sentimento estranho de observar alguém rindo demais, percebendo que o riso não é nada além de desespero.

O Estoicismo é uma filosofia interessantíssima ao que se refere enquanto estar Ser Humano. É o que é, sem forma, nem respostas concretas. Na realidade, é a pergunta como forma de resposta.

Um ser controlador geralmente acaba sendo alimentado pelo próprio controle. E a filosofia da sabedoria inabalável acaba se sobressaindo porque convenhamos, não temos o controle de praticamente nada. O lado negativo de não poder/conseguir controlar é o lado positivo de não poder controlar, vale de cada consciência entender o recado.

A justiça de promover o certo, o justo e ter o conhecimento do que é ser justo ao outro e para si mesmo. O autocontrole que por meios de desenvolvimento pessoal, a busca do prazer contínuo e não à busca do prazer por si só sem dependência da sensação de prazer. A coragem para viver a própria vida. A sabedoria prática do entender, do estudar e do praticar o que foi estudado. Simplificando, fazer algo para si mesmo usufruindo do próprio aprendizado para reforçar o conhecimento adquirido.

Aceitar o absurdo do mundo é aceitar que o equilíbrio é um lapso constante, mas mesmo assim entender o equilíbrio um passo atrás do outro em constância. É o despertar da consciência, é positivo mesmo sendo desconfortável.

Um ser que não possui nada nesse mundo caótico, precisa ter a coragem de viver e lembrar que o nada, é muita coisa, se não, o tudo. E as respostas desse caos podem ser encontradas nas entrelinhas que poucos percebem.

Não estamos necessariamente nesse Mundo, nessa Vida, nessa Terra para sermos felizes. Essa busca constante não nos dá felicidade porque procuramos a felicidade como se ela não existisse dentro de nós. Nascemos com todos os sentimentos que um ser humano pode sentir, até mesmo as vezes não reconhecendo. Essa busca constante é cansativa demais quando se busca fora ou em outro alguém. Não se enxerga, assim pouco se sente.

Quando a racionalização conseguir estar em equilíbrio com a romantização que nos ensinam, saberemos que a felicidade que tanto procuramos é mais um sentimento que estamos descobrindo. É um sentimento igual a qualquer outro, é momentâneo, vem e vai. A diferença entre procurar a felicidade, em se apegar à essa procura, é apenas um apego. Porém, reconhecer e sentir esse sentimento é a resposta: estamos aprendendo todos os sentimentos, precisamos saber estudar, assim vamos nos aprimorando com o que cada um proporciona. A felicidade não é diferente. Nada vem do nada, tudo passa e tudo possui alguma razão. Estar feliz é um estado, ser feliz é uma escolha e agradecer é aprendizado.

Aprender a ser grato é um caminho sem volta. É abundância que transborda ao necessário, mesmo com influência desse sistema arcaico, mas sobretudo com consciência da existência desses sistemas manipuladores. Por isso o termo “aprender a ser grato” porque “aprendemos a sermos desnecessários” e o que não é necessário, não se tem valor. Que sejamos gratos e necessários então.

Tenho sempre como objetivo expor meus pensamentos, aprendizados e sentimentos à minha realidade. Uma das minhas maneiras de poder expressar uma parte do meu Ser, é a escrita. É meu comprometimento comigo mesma porque escrevendo eu leio, lendo, eu observo meus pensamentos materializados, observando, filosofo. E filosofar é sentimento assim como a felicidade.

Phoenix Park, Dublin | Irlanda, 18/10/2020

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